{"id":10865,"date":"2021-07-04T08:59:34","date_gmt":"2021-07-04T08:59:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/arvores-e-micorrizas-uma-simbiose-que-melhora-a-producao-agroflorestal-em-climas-temperados"},"modified":"2021-07-04T09:01:02","modified_gmt":"2021-07-04T09:01:02","slug":"arvores-e-micorrizas-uma-simbiose-que-melhora-a-producao-agroflorestal-em-climas-temperados","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/arvores-e-micorrizas-uma-simbiose-que-melhora-a-producao-agroflorestal-em-climas-temperados?lang=pt-pt","title":{"rendered":"\u00c1rvores e micorrizas \u2013 uma simbiose que melhora a produ\u00e7\u00e3o agroflorestal em climas temperados"},"content":{"rendered":"<div class=\"field field-name-field-teaser-150 field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<div class=\"field field-name-field-teaser-150 field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p><strong>Fonte<\/strong>: Robert Borek and Andrzej Ksi\u0119\u017cniak (IUNG)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p>As micorrizas s\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o mutualista do tipo simbi\u00f3tico entre um fungo e uma planta. As plantas, em troca de hidratos de carbono absorvidos pelo fungo, ganham um melhor acesso \u00e0 \u00e1gua e nutrientes do solo.<\/p>\n<p>A inocula\u00e7\u00e3o das plantas com micorrizas pode aumentar a produtividade das culturas, promovendo o crescimento, aliviando o\u00a0<em>stress<\/em>\u00a0ambiental (seca, salinidade, defici\u00eancia em nutrientes, presen\u00e7a de metais pesados, pH do solo prejudicial), controlo de patog\u00e9nicos (ativos e passivos) e uma melhoria geral da qualidade da planta hospedeira. O fungo aumenta a diversidade e a estabilidade dos microrganismos do solo, e tamb\u00e9m melhora a estrutura do solo.<\/p>\n<p class=\"ListParagraph1\"><strong>Tipos de micorrizas e o seu papel em sistemas agroflorestais\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Os solos ar\u00e1veis t\u00eam propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas distintas em compara\u00e7\u00e3o com os solos florestais, e tamb\u00e9m diferentes tipos de microrganismos, sobretudo fungos e bact\u00e9rias (Paul e Clark 1988). Nos solos ar\u00e1veis predominam os fungos endomicorr\u00edzicos \u2013 denominados\u00a0<strong>micorrizas arbusculares<\/strong>\u00a0(<strong>fig.1<\/strong>), que colonizam as ra\u00edzes de 90% das ra\u00edzes de plantas herb\u00e1ceas: ervas, cereais e hort\u00edcolas. Tamb\u00e9m est\u00e3o presentes em \u00e1rvores e arbustos como a macieira, cerejeira, nogueira, choupo, salgueiro,\u00a0<em>Robinia<\/em>\u00a0<em>pseudoacacia<\/em>, amoreira, freixo, ou\u00a0<em>Cornus<\/em>\u00a0sp. Outro tipo de simbiose s\u00e3o as\u00a0<strong>micorrizas eric\u00f3ides\u00a0<\/strong>(simbiose entre uma Eric\u00e1cea e o fungo) que ocorrem por exemplo nos arandos e mirtilos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_4491\" style=\"width: 298px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4491\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4491 size-full\" src=\"http:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_1.jpg\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_1.jpg 288w, https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_1-195x183.jpg 195w\" sizes=\"(max-width: 288px) 100vw, 288px\" \/><p id=\"caption-attachment-4491\" class=\"wp-caption-text\">Fig 1. Arb\u00fasculos dentro das c\u00e9lulas da raiz, e ves\u00edculas e hifas do fungo endomicorr\u00edzico no tecido radicular<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_4483\" style=\"width: 324px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4483\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4483 \" src=\"https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_2.jpg\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_2.jpg 360w, https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_2-300x239.jpg 300w, https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_2-195x155.jpg 195w\" sizes=\"(max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><p id=\"caption-attachment-4483\" class=\"wp-caption-text\">Fig 2. Hifas extra radiculares de fungos ectomicorr\u00edzicos na rizosfera e nas ra\u00edzes.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As\u00a0<strong>ectomicorrizas<\/strong>\u00a0aumentam a resist\u00eancia da \u00e1rvore \u00e0s doen\u00e7as radiculares (como as causadas por\u00a0<em>Fomes annosus<\/em>, e\u00a0<em>Armillaria<\/em>), o que melhora a sa\u00fade da planta e a taxa de sobreviv\u00eancia das novas planta\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m aumentam o efeito anti-eros\u00e3o das ra\u00edzes, estabilizando o solo atrav\u00e9s do mic\u00e9lio.<\/p>\n<p>Controlam a produ\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias foliares (como o \u00e1cido salic\u00edlico no salgueiro) protegendo assim a \u00e1rvore de insetos e fornecendo um medicamento natural aos animais que consomem as folhas.<\/p>\n<p>As \u00e1rvores com\u00a0<strong>micorrizas arbusculares<\/strong>\u00a0podem funcionar como um reservat\u00f3rio para as culturas, melhorando a troca de \u00e1gua e nutrientes.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9todos de introdu\u00e7\u00e3o de fungos micorr\u00edzicos num sistema agroflorestal<\/strong><\/p>\n<p>Ao fazerem-se novas planta\u00e7\u00f5es devem preferir-se \u00e1rvores provenientes de viveiros e inoculadas com o fungo (Fig. 3), ou aquelas j\u00e1 sujeitas a uma micorriza\u00e7\u00e3o devido \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o dentro de complexos florestais. Dever\u00e3o usar-se esp\u00e9cies end\u00e9micas pois s\u00e3o as mais bem adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do sistema agroflorestal em causa. As pl\u00e2ntulas com micorrizas, tanto de raiz nua como em cuvetes, dever\u00e3o ser protegidas contra a desseca\u00e7\u00e3o. No caso da micorriza\u00e7\u00e3o de estacas dever\u00e3o seguir-se todas as indica\u00e7\u00f5es do produtor de in\u00f3culo. A micorriza\u00e7\u00e3o de pl\u00e2ntulas dever\u00e1 ser feita imergindo-as numa suspens\u00e3o at\u00e9 \u00e0 profundidade de metade da raiz e depois plantando-a mec\u00e2nica ou manualmente.<\/p>\n<p>No caso de plantas obtidas com raiz nua dever\u00e3o aparar-se as ra\u00edzes uniformemente e depois dever\u00e3o ser submersas na suspens\u00e3o e plantadas imediatamente.<\/p>\n<p>No caso particular da micorriza\u00e7\u00e3o de salgueiro numa rota\u00e7\u00e3o curta (fig.4), esta s\u00f3 poder\u00e1 fazer-se ap\u00f3s cada salgueiro desenvolver o seu sistema radicular, i.e. cerca de 2 a 3 meses ap\u00f3s a planta\u00e7\u00e3o. A inocula\u00e7\u00e3o deve ser feita com uma agulha de aplica\u00e7\u00e3o. \u00c9 essencial que a temperatura \u00e0 profundidade de 10 cm seja igual ou superior a 12 \u00baC, e a humidade do solo a 60% da capacidade de reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua.<\/p>\n<div id=\"attachment_4499\" style=\"width: 530px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4499\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4499\" src=\"http:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_3.jpg\" alt=\"\" width=\"520\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_3.jpg 520w, https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_3-300x225.jpg 300w, https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_3-195x146.jpg 195w\" sizes=\"(max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><p id=\"caption-attachment-4499\" class=\"wp-caption-text\">Fig. 3. Pl\u00e2ntulas com micorrizas (\u00e0 direita) caracterizam-se por superior crescimento e desenvolvimento do sistema radicular no primeiro ano ap\u00f3s a planta\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_4507\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4507\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-tb_medium wp-image-4507\" src=\"https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_4-1-620x349.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_4-1-620x349.jpg 620w, https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_4-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_4-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_4-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_4-1-940x529.jpg 940w, https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/tech_article_2_pic_4-1-195x110.jpg 195w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-4507\" class=\"wp-caption-text\">Fig. 4. Salgueiro em rota\u00e7\u00e3o curta combinado com uma pastagem de leguminosas num sistema agroflorestal em Wakelyns Agroforestry, Suffolk, Reino Unido (Jo Smith)<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para inocular fungos micorr\u00edzicos arbusculares podem usar-se, em alternativa: i) in\u00f3culo em p\u00f3, adicionando \u00e1gua e pulverizando o solo \u00e0 volta da planta, mergulhando as ra\u00edzes na solu\u00e7\u00e3o; ii) inje\u00e7\u00e3o nas ra\u00edzes. Tamb\u00e9m s\u00e3o muitas vezes inoculados em conjunto com\u00a0<strong>microorganismos promotores do crescimento das plantas\u00a0<\/strong>como<strong>\u00a0biofertilizante;\u00a0<\/strong>no entanto, esta solu\u00e7\u00e3o e<\/p>\n<p>tem uma efic\u00e1cia mais baixa que as micorrizas.<\/p>\n<p>O biofertilizante pode ser distribu\u00eddo \u00e0 superf\u00edcie do solo, no caso de culturas anuais, sozinho ou juntamente com a sementeira, ou aplicado no sulco. Tamb\u00e9m pode ser aplicado diretamente nas sementes, em pasta ou em p\u00f3. No caso de planta\u00e7\u00f5es ou pomares j\u00e1 estabelecidos, o biofertilizante s\u00f3lido pode ser enterrado perto das ra\u00edzes (Malusa e Ciesielski, 2018). Para obter os melhores resultados \u00e9 necess\u00e1rio fazer corresponder cuidadosamente o gen\u00f3tipo da planta, do fungo e da planta hospedeira, ou seja \u00e9 fundamental utilizar isolados de fungo\u00a0adaptados regionalmente.<\/p>\n<p><strong>Boas pr\u00e1ticas que favorecem o desenvolvimento das micorrizas<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>N\u00edvel interm\u00e9dio de azoto e baixo conte\u00fado de f\u00f3sforo no solo (Liu 2000, Johnson 1993)<\/li>\n<li>Mobiliza\u00e7\u00e3o do solo reduzida ou mesmo inexistente (agricultura \u2018de conserva\u00e7\u00e3o\u2019, fazer pouca lavoura) (Galvez\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a02001, Kabir 2005)<\/li>\n<li>Gest\u00e3o precisa e sustent\u00e1vel da nutri\u00e7\u00e3o das culturas (adubo biol\u00f3gico\/composto\/adubo de liberta\u00e7\u00e3o lenta em quantidade moderada) (Douds\u00a0<em>et al<\/em>. 2012, Ustuner\u00a0<em>et al<\/em>. 2009)\n<ul>\n<li>Rota\u00e7\u00f5es variadas de culturas (Larkin 2008) usando culturas de cobertura e leguminosas fixadoras de azoto (Njeru\u00a0<em>et al<\/em>. 2015), e reduzindo as fam\u00edlias de plantas resistentes \u00e0s micorrizas (por exemplo\u00a0<em>Brassicaceae<\/em>,\u00a0<em>Chenopodiaceae<\/em>,\u00a0<em>Linaceae<\/em>) (Peat e Fitter, 1993). Aplica\u00e7\u00e3o limitada de produtos qu\u00edmicos (Miller e Jackson 1998, Carenho\u00a0<em>et al<\/em>. 2000).<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>Combina\u00e7\u00e3o da inocula\u00e7\u00e3o de fungos arbusculares e aplica\u00e7\u00e3o de biofertilizante e biopesticidas (Weber 2014).<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"https:\/\/agroforestrynet.eu\/afinet\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/apt_artigostecnicos_treesandcropsrootsandfungi_0.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Veja este artigo em formato pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Robert Borek and Andrzej Ksi\u0119\u017cniak (IUNG) As micorrizas s\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o mutualista do tipo simbi\u00f3tico entre um fungo e uma planta. As plantas, em troca de hidratos de carbono absorvidos pelo fungo, ganham um melhor acesso \u00e0 \u00e1gua e nutrientes do solo. 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